sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nada

Agora também eu lamento
ora, mas que coisa
destino se torna incerto
sempre cruel aos meus olhos
que vem e me atormenta
sem querer ela me apunhala
e o mundo parece negro
sem querer ela manipula
e quem se importa afinal
se é tanto desespero
porque ela ligaria?
Para causas que eu sofro
causas de um gemido!
Abro meus olhos
ainda querendo fechar
quem liga pra isso afinal?
São dilacerações que eu
na minh'alma carrego
será que ela sabe,
Que tanto assim eu te amo?
Não, ela se soubesse
que em vão soluça e clama,
eternamente presa a minh'alma
não seria assim
e eu vagarei por fim
em mundos invisíveis,
ela não sabe, nada sabe
da sombra e os golpes da emboscada
que derruba
que fere ao amado
pouco sabe do meu clamor interno
se torna dolorida a minha lágrima
não tenho forças
diante disso
não tenho forças
diante da dor
são apenas consolos amargos que vejo nela
devo estar por fim enlouquecendo
o filme passa na minha cabeça
vejo rostos de dor
vejo lamentações minhas
vejo a partida, vejo minha carne inquieta
vejo o silêncio do desespero insano
a dor de ranger os dentes
vejo cada laço que se rompeu
vejo a crueldade nos olhos de todos eles
vejo a alma ferida pela lança
que deixou a mim com desesperanças
vejo então ele surgindo
vejo a minh'alma sarada, em um suspiro
vejo a depressão perdendo força
vejo a luz por fim
até que tudo escurece
até que o medo do início dele
volte a rodar diante de mim
vai abrindo em mim a inevitável cena
os dedos dela sob o laço
a crueldade no olhar e ela
me olha contemplando a dor latente
arrebenta, arrebenta o laço,
o medo de ela ser
como as outras
é só desolação, é só tortura
que envolve meu coração num fundo luto
filme insano, um fantasma
que volta a rodar diante de mim
sou impotente
sou burra
sou apenas um pó
com direito a nada!

Dz


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